SETEMBRO DEDICADO A PALAVRA DE DEUS.

Deus se comunicou com a humanidade por meio do povo hebreu (cf. Gn 12, 1-3). Por meio dessa nação aconteceu a Revelação na qual Deus, como um grande pedagogo, foi preparando a mente e o coração dos filhos de Abraão para, na plenitude dos tempos, a todos se manifestar pessoalmente na pessoa de Jesus (cf. Hb 1, 1-2), seu Filho muito amado desde a eternidade (cf. Jo 1, 1; 15, 9).
Da pedagogia divina nasceu a experiência do encontro da humanidade com Deus num clima de fé (cf. 1Rs 18, 36-37). Paulatinamente a experiência fora transmitida oralmente por meio de cantos, narrativas, poesias e preces litúrgicas (cf. Js 24, 1-16). Inspiradas pelo próprio Deus tais experiências passaram a ser escritas e assim formou-se, depois de um longo período, o Primeiro Testamento (cf. Jr 30, 2).
Essa primeira parte da Bíblia contém a experiência de fé do povo no seu contanto com Deus, onde se manifesta como o Libertador de Israel, escolhido para proclamar a todas as nações as maravilhas divinas (cf. Sl 96). Partindo do reconhecimento da ação libertadora se descobriu a ação criadora (cf. Ex 20, 1-11) e, além dessa, a preocupação da permanência das criaturas junto de quem a elegeu (cf. Ex 19, 5-6). Isso está presente nas páginas dos 46 livros do Primeiro Testamento, perpassando de Gênesis à Malaquias.
O mesmo Deus do Primeiro Testamento, desejoso de manifestar-se plenamente desce do céu e se encarna (cf. Jo 1, 14). Adentrou definitivamente na humanidade para, de modo magnífico, os humanos serem inseridos na vida plena, ou seja, a eternidade (cf. Jo 14, 1-6). A um grupo de escolhidos, homens simples tirados do meio o povo (cf. Mc 3, 13-19), o Deus Encarnado mostrou sua glória depois de longo processo de experiências vividas entre erros e acertos acerca da sua pessoa (cf. Lc 24, 35-48).
Com a Ressurreição, depois da crucificação de Jesus, os seus amigos saíram anunciando a experiência vista, ouvida, tocada e sentida (cf. At 2, 14ss). O fruto disso foi o surgimento dos escritos do Segundo Testamento (Hb 2, 2-4). É a segunda parte da Bíblia, contém o anúncio da Pessoa de Jesus tendo por base o grande evento da Ressurreição, ou seja, a inaudível experiência de uma vida após a morte (cf. 1Cor 15, 20). “Deus ressuscitou a este Jesus. E nós somos testemunhas disso” (At 2, 32). Essa foi a pregação dos discípulos de Jesus e a fé das primeiras comunidades de seguidores do Ressuscitado. Tudo isso pode ser visto e contemplado nos 27 livros do Segundo ou Novo Testamento, isto é, as páginas desde o Evangelho de Mateus ao Apocalipse.
Toda essa experiência é a história da salvação. Passou a ser escrita em 900 a. C e terminou quase 100 d. C. Portanto, a Bíblia levou aproximadamente mil anos para ser escrita. Constitui-se no fruto da história de homens e mulheres oscilantes em encontros e desencontros com Deus. A Palavra de Deus chegou até os dias de hoje e faz parte da história de fé dos seguidores de Jesus, ou seja, os cristãos. Ela é a fonte de inspiração para sentir a presença de Deus na história e ter a convicção da sua atuação no momento atual e como o cristão deve proceder (cf. 2 Tm 3, 14-17).
Tradicionalmente se tem setembro como o mês da Bíblia, pois no dia 30 desse mês se comemora o dia de São Jerônimo, fora ele o primeiro a fazer uma tradução da Bíblia para o latim, a chamada Vulgata. No entanto, a Bíblia deve ser referência para a vida do cristão todo o dia, não só no mês a ela dedicado. Tal qual o alimento, necessário para a sobrevivência física do ser humano, é a Bíblia, o alimento espiritual para a manutenção do homem na sua amizade e familiaridade com Deus, lembrando que segundo São Jerônimo “ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”.
Pe. Márcio Dias.