Quarta Feira de Cinzas – iniciamos o tempo Quaresmal

Somos convidados a olhar com mais atenção para a vida. Nessa quarta-feira de cinzas, iniciamos o Tempo Quaresmal em que somos convidados a olhar com mais atenção para a nossa vida. É tempo de buscar mais de perto o encontro com o Senhor que todos os dias nos chama á conversão. O Papa Francisco nos exorta a vivermos a quaresma como tempo de GRAÇA que não podemos “deixar este tempo passar em vão”. Somos chamados à penitência e a conversão. Um Tempo propício para fazermos Memória da Vida, ensinamentos, sofrimentos, morte de Jesus de Nazaré como também da sua Ressurreição e da Presença no meio de nós. Ele nos convida à uma reflexão de nossa vivência cristã.
Neste dia também a Igreja do Brasil faz a Abertura da Campanha da Fraternidade. Para cada ano, a Igreja propõe um tema e um lema relacionado a alguma situação específica da realidade brasileira à luz da Palavra de Deus.
Este ano, 2020, a Campanha da Fraternidade toma como referência a Parábola do Bom Samaritano tirada do evengelho de São Lucas 10, 25-37 com o Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso e o lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.
A Campanha da Fraternidade nos convida a lançar o nosso “olhar” a nossa volta e estendê-lo até os mais distantes horizontes de nosso mundo. E deixar que em nosso coração aflore os sentimentos vindos do coração misericordioso de Jesus. Assim, nosso agir será semelhante ao Dele, junto aos que sofrem, aos “caídos” de nosso país, de nosso mundo, aos que foram “assaltados” de sua dignidade, liberdade e os direitos básicos que toda pessoa necessita. Assim como o refrão do hino da CF/2020 nos convida a continuarmos como peregrinos: Peregrinos, aprendemos nesta estrada, o que o “bom samaritano” ensinou: Ao passar por uma vida ameaçada, Ele a viu, compadeceu e cuidou.
O objetivo geral da CF 2020 é: CONSCIENTIZAR, à luz da PALAVRA de Deus, para o sentido da vida como DOM e COMPROMISSO, que se traduz em relações de mútuo CUIDADO entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa casa comum.
Parábola do Bom Samaritano, composta por personagens anônimos., traz a figura do sacerdote e do Levita que desviam-se do homem ferido, pois não tinham tempo para ele. Já o samaritano aproxima-se da vítima dos salteadores e, movido pela compaixão, gasta seu tempo, ficando com ele à noite na hospedaria. No dia seguinte paga as despesas da sua estadia e promete retribuir ao dono da hospedaria tudo o que porventura gastasse a mais para cuidar daquele que sofreu o assalto. A postura inesperada do Samaritano contém o centro do ensinamento de Jesus: o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculos, mas todo aquele de quem nos aproximamos. Não é a Lei, vínculo sanguíneo ou ligação afetiva que estabelecem as prioridades, mas a compaixão, que impulsiona a fazer pelo outro aquilo que nos é possível, rompendo com toda indiferença. A lei é esta: todos devem ser amados, sem distinção. Ser capaz de sentir compaixão é a chave da obediência à vontade de Deus, que ama toda a criação: Servir! Ver! Sentir, ter compaixão e cuidar é o autêntico programa Quaresmal.
O olhar de Jesus despertava, em seu íntimo, a mais profunda compaixão. A parábola do Bom Samaritano fala dele próprio. Todos os sentimentos daquele samaritano que “viu, sentiu compaixão e cuidou do homem ferido”, são de Jesus. Os sentimentos de compaixão em Jesus levam-no a atitudes revolucionárias. Ultrapassam leis e normas estabelecidas. Jesus, em toda sua vida agiu com o mais extremo cuidado. Seu agir, nos mínimos gestos eram impactantes e transformadores. Os Evangelhos nos revelam a sua face e sua atitude sempre amorosa com relação aos que D Ele se aproximavam. A ternura é, sem dúvida, o modo privilegiado de traduzir para os nossos tempos o afeto que Jesus sente por nós. A ternura revela o rosto paterno/materno do Deus apaixonado pelo ser humano. Quando a pessoa sente o amor/ternura divino é estimulado a também amar e cuidar.
Irmã Sebastiana Mendonça de Sousa – CIIC
.