O Batismo do Senhor – Graça e Missão

O Catecismo da Igreja Católica nos diz que “Pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus” (CIC 1213). Porém Jesus veio ao Rio Jordão para ser batizado por João Batista.

“Então Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser batizado por João.

João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”

Respondeu Jesus: “Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça”. E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”. (Mt 3,13-17)

Precisaria ser Ele também regenerado de algo? Deveria ele ser ainda adotado como filho de Deus? Não! Jesus foi batizado nas águas do Jordão para iniciar seu ministério público, não que precisasse, mas assim o fez para ser solidário a nós com sua redenção.

A água permanece definitivamente indicada como elemento material do sacramento. Os céus se abriram, o Espírito desceu em forma de pomba e a voz de Deus Pai confirmou a filiação divina a Cristo. Tudo o que acontece à Cabeça da futura Igreja indica o que será realizado sacramentalmente em seus membros. Jesus faz primeiro para mostrar o caminho, santifica a água que dali nasceriam os filhos de Deus.

Em seguida Jesus se encontra com Nicodemos, no qual nos confirma a necessidade do Batismo para nossa salvação, para sermos homens e mulheres novos. Ele mostra que a água utilizada no batismo tem um vinculo pneumatológico com a salvação, por isso diz a Nicodemos: “Quem não nasce da água e do Espirito, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3.5).

O mistério pascal da ao batismo um valor de salvação. “Foi na sua Páscoa que Cristo abriu a todos os homens as fontes do Batismo. De fato, Ele já tinha falado da sua paixão, que ia sofrer em Jerusalém, como dum «batismo» com que devia ser batizado. O sangue e a água que emanaram do lado aberto de Jesus crucificado são tipos do Batismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova: desde então, é possível «nascer da água e do Espírito» para entrar no Reino de Deus (Jo 3, 5)”. (CIC 1225)

O Novo testamento nos confirma decididamente “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12). E como ser “batizado em Cristo” equivale a ser “revestido de Cristo” (Gl 3,27), é preciso compreender em todas as suas forças as palavras de Jesus segundo as quais “aquele que crê e é batizado será salvo, mas aquele que não crê será condenado” (Mc 16,16). Daí a fé da Igreja na necessidade do batismo para ser salvar.

O Batismo de Jesus nos mostra exatamente que Jesus é o Filho de Deus, que ao ser enviado ao Mundo pelo Pai, cumpre seu projeto de plena libertação em favor dos homens. Como Filho ele cumpre plenamente a vontade do Pai que é de nos salvar. Desta forma entendemos que pelo Natal, Jesus – Emanuel – Deus Conosco, vem ao nosso encontro para refazer a comunhão entre Deus e os homens que pelo pecado havia sido interrompida. Pela Encarnação ele vem habitar em meio a nós, pela sua Paixão realiza completamente e definitivamente o plano de amor e salvação do Pai para nós. Desta ação de Jesus, por meio do Batismo, regenerados e reconciliados, nos tornamos nova criação, uma nova humanidade, filhos e filhas de Deus.

Antes de subir ao céu, o Senhor diz aos Apóstolos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28, 19. Este mandato se cumpre fielmente desde Pentecostes e indica o objetivo primário da evangelização, ainda hoje atual. Somos convidados a recordar que a missão pública de Jesus começou com o seu Batismo, por isso também nós somos convidados a assumirmos o nosso Batismo com responsabilidade diante desta grande graça dada por Deus a nós. Somos convidados a deixar o Espírito conduzir-nos e sermos missionários no cotidiano de nossas vidas, levando Cristo Ressuscitado a todas as pessoas.

Estamos nos preparando para a Jornada Mundial da Juventude, que acontecera no Panamá de 22 a 27 de janeiro de 2019. Podemos recordar ainda, como se fosse hoje, as palavras do Papa Francisco na missa de encerramento da JMJ no Rio de Janeiro em 2013, nas praias de Copacabana:

“Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, vão; mas disse: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’. Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem, sim; mas não nasce da vontade de domínio, da vontade de poder. Nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e não nos deu somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, Ele deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.

Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor”.

Padre Arnaldo Rodrigues – Vatican News