“O amor ofereceu-me a chave da minha vocação: No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor; com o amor serei tudo” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

É com alegria que acolhemos o mais novo Seminarista João Victor, que fará sua ordenação Diaconal, no dia 03 de setembro de 2021, ás 19h30 na Paróquia São Roque – Buri/SP. Segue um pouco a sua trajetória, conforme escreve o mesmo: Há quatro meses, depois de realizar um processo de conhecimento e transição, a fim de viver minha vocação ao ministério sacerdotal, vim para a Diocese de Itapeva. Nesta porção da Igreja do Senhor, junto aos padres e ao povo santo de Deus, desejo consumir minha vida no Amor: Anunciando-O e testemunhando-O!
Durante toda a minha vida possuí o desejo de ser padre, desde a mais tenra idade na ingenuidade infantil, até o alvorecer de minha juventude. Assim, percorri um itinerário de fé junto à minha família, amigos e comunidade paroquial de Vera Cruz, sob a proteção do Sagrado Coração de Jesus. Nesse ínterim, tive algumas experiências de trabalho e relacionamento, não obstante o chamado divino gritou mais forte em meu coração.
Sempre senti esse chamado, ora mais diretamente, outras vezes mais nas penumbras do cotidiano. Foi, sobretudo, na convivência e trabalho com o povo de Deus que senti arder ainda mais esse desejo de doação total ao sacerdócio. Por isso, estar na Igreja, no meio do povo fiel, com amor e oração, são as principais marcas da minha história vocacional.
Mas agora vou me apresentar um pouco melhor:
Bem, nasci aos 22 de dezembro de 1993, na cidade de Marília. Filho mais velho de um casal da cidade de Vera Cruz, oriundo de uma família tradicionalmente religiosa católica praticante. Meu pai desde sua juventude dedica-se ao ramo do agronegócio, mais precisamente com leilão de gados; minha mãe formada em Matemática sempre lecionou nas escolas agrícolas do Centro Paula Souza de Vera Cruz e Garça. Tenho dois irmãos mais novos: o Pedro Henrique com 25 anos, e o Matheus com 22 anos; ambos formados em Engenharia Civil.
Fomos criados por um modelo tradicional e simples de família, pautado nos valores da religião católica e da simplicidade de uma pequena cidade do interior. Dessa forma, sempre foi bastante evidente em mim a percepção pelo caminho religioso, por meio de hábitos e práticas de fé que eram inseridos e transmitidos pela família, principalmente pelo lado paterno.
Por isso, desde a minha mais tenra infância tinha vontade de ser padre. Minha avó paterna conta que, aos 03 anos de idade, assistindo a um momento de oração com ela do Papa, hoje São João Paulo II, eu disse que queria ser igual aquele homem de branco que estava rezando na televisão, porque ele era padre. E era isso que eu queria ser. Desde o princípio, ajudar os outros, falar de Deus, ser mais de Igreja e mais próximo de Deus foram minhas motivações na caminhada vocacional. Meu envolvimento com as coisas de Igreja na infância e adolescência era intenso: participava da catequese, das rezas de terços e novenas com a minha avó nos setores, das missas etc.
Realizeis meus estudos primários e parte do fundamental em Vera Cruz, no entanto aos 10 anos passei a estudar no Colégio Cristo Rei de Marília, onde cursaria o restante do ensino fundamental e o ensino médio. Foi um momento difícil e desafiador devido a adaptação e a diferença dos estudos. Não obstante, com o passar do tempo fui me acostumando aquela nova rotina de estudos, com mais qualidade, porém que exigiam muito mais dedicação. Desse modo, minha participação nas coisas de Igreja se tornou menos frequente. Porém, o desejo de ser padre ainda era vivo em meu coração.
Nesse ínterim, aos 14 anos comecei a trabalhar de garçom com alguns amigos para um buffet de Garça, uma experiência que me ajudou muito, uma vez que o garçom é aquele que serve, é aquele que se inclina para o próximo no serviço. Sim, ser padre para servir a Deus e aos irmãos era meu desejo.
Contudo, aos 16 anos comecei a namorar uma menina que estudava comigo desde a infância, mas durou pouco tempo esse relacionamento, já que a vontade de ser padre gritava cada vez mais forte no meu coração. Ela pediu para que eu fizesse uma difícil escolha: ficar com ela ou ficar na Igreja. No coração, a certeza de optar por ficar com aquilo que era essencial na minha vida, a experiência de Deus comigo: ser padre.
Nesse mesmo período, comecei a trabalhar como sacristão na comunidade de Vera Cruz, junto com o Monsenhor Nivaldo Resstel, meu pároco da época, com quem pude vivenciar momentos incríveis no que diz respeito ao ministério ordenado, mediante suas atitudes e testemunho. Logo, ardia ainda mais em meu coração e consciência o anseio pela total consagração a Deus. Tive a oportunidade de acompanhar mais de perto o trabalho do padre, e comecei a me identificar ainda mais com aquilo: ajudar as pessoas, dar-lhes uma palavra de conforto e esperança, visitar os enfermos, os presidiários, os idosos e, principalmente, a participação diária da Eucaristia.
Realizei os retiros vocacionais na Diocese de Marília e em 03 de fevereiro de 2012, ingressei no Seminário Diocesano São Pio X, acolhido por Dom Osvaldo Giuntini, atualmente bispo emérito de Marília. Fiz um ano de Propedêutico e, após isso, fui para o Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus cursar a graduação de Filosofia da Faculdade João Paulo II (FAJOPA).
Após concluir os estudos filosóficos mudei para o Instituto Teológico Rainha dos Apóstolos (ITRA) para cursar a Teologia pela FAJOPA (instituição de ensino mantida pelos bispos da Província Eclesiástica de Botucatu). Durante a Teologia, recebi do bispo de Marília, a admissão às ordens sacras (2016), os ministérios de leitor (2017) e acólito (2018).
Aos finais de semana, durante o tempo de seminário, realizava os estágios pastorais nas paróquias da Diocese. Trabalhei em Marília, Pompeia, Dracena, Oriente e Pauliceia. A pastoral para mim sempre foi o ápice da formação, sobretudo por causa do convívio com o povo de Deus e das atividades desempenhadas em comunhão com o padre e os leigos.
No fim de 2019, concluí os estudos para a formação sacerdotal, mas estava adoecido pela Síndrome do Pânico e Ansiedade. Por tais situações, pedi para me desligar do processo formativo em Marília. Precisava de um tempo para me cuidar, reestabelecer minhas forças mentais, etc. Nesse tempo fora da formação, aproveitei para estudar e trabalhar. Foram meses de muita oração, pensamentos, partilhas, terapias e afins para eu lidar com minhas questões de saúde física e mental.
Nesse ínterim de pandemia, quarentena e mais alguma coisa de que ninguém ao certo sabe definir na história da humanidade, revisitei meus estudos filosóficos, mais precisamente no existencialismo de Jean Paul Sartre, e ali deparei-me com um pensamento que ficou martelando na minha cabeça. Dizia o francês, “nunca se é homem enquanto não se encontra algo pelo qual se estaria disposto a morrer”. Prometi a mim mesmo fazer um exercício de auto avaliação de minha vida, dos meus sonhos, projetos, decisões, conquistas, frustrações, enfim, de um panorama geral da minha singela existência. E foi exatamente o que eu fiz. Percebi que minha vida não tem sentido se não for agindo em nome de Deus e em favor do meu próximo. Percebi que minha vida só tem sentido quando eu a direciono à Cruz do Senhor e mergulho nesse mistério de amor infinito: o sacerdócio!
Sendo assim, em julho do ano passado, comecei um processo de contato com Dom Arnaldo, nosso Bispo, para eu ingressar na Diocese de Itapeva. Ao longo do segundo semestre de 2020, pude percorrer um itinerário no qual conheci as paróquias, o clero, bem como muitos leigos daqui. E, finalmente, em novembro passado fui acolhido pela Diocese e designado para morar e trabalhar na Paróquia São Roque na cidade de Buri, juntamente com o Padre Fernando Batista de Campos, enquanto espero as ordenações diaconal e presbiteral, para no coração da Igreja viver o amor.
Em Cristo Jesus,
João Victor F. Bonzanini