Deus é nossa segurança

A experiência vivida por Jesus Cristo no seu batismo, que nestes dias é celebrado na liturgia, acompanha-o durante toda a sua vida e é modelo para nosso viver. Em quem depositamos nossa segurança? Em quem podemos confiar plenamente? A partir do batismo, Jesus carregou consigo duas certezas, que configuraram sua identidade e sua missão, apresentadas pela Escritura nestas palavras: “O céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma de pomba. E do céu veio uma voz: ‘Este é o meu Filho amado, em ti ponho meu benquerer’” (Lc 3,22). Ele viveu de maneira absoluta as palavras do salmista: “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida, perante quem eu temerei?” (Sl 26,1).

De fato, Jesus Cristo caminhou com uma certeza: Deus que me enviou é Abbá, Pai. Esta profunda intimidade de vida, cultivada nos frequentes momentos de oração vividos por Jesus, se expressa nestas palavras: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30); “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra” (Jo 4,34). Esta segurança foi o que manteve Jesus com serenidade interior nos piores momentos de provação e conflitos, amando sempre. Confia absolutamente nele. Sua pregação e seus gestos deixavam transparecer a bondade e a misericórdia de Deus Pai. A outra certeza é o fato de ser o “ungido” pelo Espírito Santo (cf. Lc 4,18). Um dinamismo interior que o ultrapassava, que era maior do que ele, que o movia a agir, a curar, a libertar, a perdoar.

Quanta falta de sentido de viver experimentamos hoje! Quanto desespero por falta de alguém em quem depositar segurança e confiança. Aos poucos as pessoas vão se dando conta que a segurança pessoal não está no sucesso profissional, econômico ou no nível de vida e consumo. Não, isto tudo não basta, não oferece o sentido último de todo caminhar, de todas as buscas, de todo esforço. O batizado é chamado a buscar não a partir de si mesmo este sentido e sua segurança, mas numa voz que pode transformar sua vida inteira: “Tu és o meu filho amado” (Mc 1,11). A unção que recebemos no batismo nos fez “cristãos”. Nossa postura é reconhecer nossa finitude e, com humildade, permitir que sejamos amados e fortalecidos pelo Espírito Santo. Na escuta da Palavra de Deus nos reconhecemos nas palavras dirigidas ao Filho. Daí que, no rito do batismo realiza-se o gesto do Effatà, abra-te, rogando a Deus que os ouvidos se abram e logo este batizado possa ouvir a Palavra de Deus. “O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te conceda que possas logo ouvir a sua palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai” (Rito do Batismo).

Enfim, o batismo é o início de uma vida nova em Cristo. O dom recebido permanece para sempre, contudo precisa de uma resposta pessoal e livre. A iniciação à vida cristã e a formação permanente tem este objetivo de ajudar nossos batizados a viverem de maneira adulta e madura a alegria de sermos cristãos. Podemos dizer como São Paulo: “Eu sei em quem eu confiei” (2 Tm 1,12).

  Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta
CNBB